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Conhecer mais sobre a cultura indígena é boa opção no ''Dia do Índio''

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18/04/2007

"Massacre Indígena Guarani" conta história real sob o ponto de vista dos índios

Da Redação

Ouvir ou ler histórias sobre índios é muito comum no Brasil, lugar habitado por muitas tribos. Mas dificilmente essas histórias são contadas pelos próprios índios.
Não é o caso do livro "Massacre Indígena Guarani", escrito por Luiz Karai, um descendente indígena disposto a contar uma história triste: a morte de índios guaranis e homens brancos (ou "não-índios") que guerrearam entre si.
Esse momento trágico é narrado por um índio para as crianças que vivem no país, índias ou não. Por isso, o livro contém a mesma história contada duas vezes: uma em português e a outra em guarani.
O autor, é bom lembrar, conhece bem as duas línguas. Já estudou em colégio "não índio" e já morou por anos na aldeia Krukutu, localizada em São Paulo. Hoje, trabalha como tradutor de guarani para o português e vice-versa.
Na história, Karai culpa os brancos pelo massacre e defende que os índios agiram em defesa do próprio povo, atacado de maneira repentina. No início do livro, é destacada a harmonia vivida na tribo, onde os índios obtinham seu sustento com a caça, a pesca, o artesanato, e onde viviam felizes em contato com a natureza.
Também há destaque para a figura do pajé, o curandeiro da aldeia, bastante respeitado por todos e que tem papel importante na trama. Ele conseguiu prever, por meio de um sonho, o ataque dos "não-índios", e levar parte dos habitantes para outro lugar, longe dali. Os que não acreditaram no sonho do pajé acabaram ficando na tribo e foram atacados.
O mais interessante do livro é contar uma história real pelo ponto de vista dos índios, o que geralmente não acontece. É interessante notar que no enredo os "selvagens" são os "não índios" e os homens "civilizados" são os "habitantes da tribo", versão diferente da que normalmente nos é passada.
O "Massacre Indígena Guarani" é uma boa oportunidade de entrar em contato com a cultura dos guaranis e, ainda, conhecer de uma diferente perspectiva fatos da nossa História.
MASSACRE INDÍGENA GUARANI Texto de Luiz Carlos Karai Rodrigues e ilustrações de Rodrigo Abrahim Editora Difusão Cultural do Livro 23 páginas/ R$20 Literatura infanto-juvenil
Um "mergulho" na cultura indígena
Ainda no assunto de cultura indígena e livros, há outra boa opção de leitura: "Mitos Indígenas". Os mitos e narrativas do livro foram contados nas aldeias oralmente, geração por geração, e tratam de assuntos como o mistério de existir e o de viver. Também há as versões dos índios para o surgimento do céu, da noite, da lua, do arco-íris, entre outros temas que aguçam a curiosidade de muita gente.
No último capítulo, ainda é possível conferir o depoimento de um pajé de verdade, que relata suas visões em algumas situações, como quando busca a cura de um doente.
Entre as pessoas que resolveram recontar os mitos está a antropóloga Betty Mindlin, que conviveu em meio aos índios e luta pela preservação de suas culturas, e os próprios índios de dez povos da Rondônia e do Mato Grosso, que costumam contar essas histórias em suas aldeias.
MITOS INDÍGENAS Texto de Betty Mindlin e narradores indígenas; ilustração de Adriana Florence Editora Ática 144 páginas/ R$20,90 Indicado para crianças de 11 e 12 anos
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