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Capa do novo livro de João Carlos Marinho




15/09/2005

Autor de "O Gênio do Crime" lança novo livro; leia entrevista

Da Redação

Quatro anos depois de sua última aventura, o espertíssimo Gordo, Berenice e sua turma estão de volta. Foi lançado em setembro "Assassinato na Literatura Infantil", um novo livro de João Carlos Marinho, autor do consagrado "O Gênio do Crime".

Marinho escreveu "O Gênio do Crime" em 1969. O livro já
está na 56ª edição e é lido até hoje por crianças e adolescentes. O sucesso do Gordo e de seus amigos foi tão grande que o autor não parou mais: em 36 anos, ele criou
12 aventuras para a turma.

O escritor - que nunca leu Harry Potter - conversou com o
UOL Crianças. João Carlos Marinho falou sobre o filme inspirado em "O Gênio do Crime", fez comentários misteriosos sobre a nova aventura da turma do Gordo e contou qual foi o último livro infantil que leu.

Leia a entrevista exclusiva:

UOL Crianças - O que você lia quando era criança?
João Carlos Marinho - Eu lia Monteiro Lobato e histórias em quadrinhos. As HQs eram diferentes, não tinham essa preocupação exagerada de não mostrar a violência para as crianças. Hoje em dia as crianças vêem a violência em todo lugar, menos no que é feito para elas. Já mudaram até a letra de "Atirei o Pau no Gato"!
Acho isso ruim. Você pode evitar a exposição exagerada ou maldosa à violência, mas não mascará-la.
Meus livros têm violência porque são aventuras e numa aventura os heróis correm perigo. Se o bandido não é perigoso, qual é a graça de enfrentá-lo? E eu faço isso sem apelar para a violência excessiva.

UOL Crianças - Como foi que você começou a escrever?
João Carlos Marinho - Quando era criança eu fazia minhas "coisinhas". Mas quando cheguei ao colegial achei que seria incapaz de ser escritor. Então resolvi fazer o que todo mundo que não sabia o que fazer da vida na época ia fazer: estudar advocacia. Fui advogado por 26 anos. Quando meu primeiro filho nasceu, coloquei um assistente no escritório e tive tempo para me dedicar à literatura. E aí veio a idéia de "O Gênio do Crime". Afinal, quando era criança eu era apaixonado por futebol e por figurinhas. Naquele tempo o futebol era mais popular do que hoje, não precisava dividir a atenção das pessoas com outros esportes... A gente só pensava em futebol, o tempo todo.

UOL Crianças - Quase todas as aventuras do Gordo e de sua turma têm crimes na história. Isso tem a ver com o fato de você ser advogado?
João Carlos Marinho - Não. Meus livros são comédias. Eu escrevo para fazer as pessoas rirem e se divertirem. Mas as histórias precisam de enredos e meus enredos sempre são aventuras.

UOL Crianças - Em 1973, foi feito o filme "O Detetive Bolacha Contra O Gênio do Crime", baseado no livro. Você participou do filme?
João Carlos Marinho - Não, eu só dei uma "sapeada". Acho que o autor não deve se envolver com essas coisas. Só dava opiniões quando me pediam. Mas não eram opiniões que tinham a obrigação de serem seguidas.

UOL Crianças - Essa foi a única vez que o Gordo e sua turma saíram dos livros. Existem outros projetos neste sentido?
João Carlos Marinho - Acho que isso não depende de mim. Se alguém me procurar e topar minhas condições... Mas o meu trabalho é com os livros mesmo.

UOL Crianças - "Sangue Fresco", o terceiro livro da série, se passa na Amazônia. Você chegou a ir até lá?
João Carlos Marinho - Eu estive na Amazônia, na casa de um conhecido. Visitei Belém e Manaus. Mas toda a aventura da turma do Gordo na floresta eu devo ao José Genoino (ex-presidente do PT, partido do presidente Lula). Eu queria que a turma fugisse do acampamento de uma maneira original. Eles podiam seqüestrar um avião ou mandar uma mensagem pelo rádio, mas seria muito mais legal se ficassem perdidos na floresta, sem nada. Para isso, precisava de alguém que conhecesse bem a selva. Aí o meu cunhado indicou o Genoino, que na época era professor em São Paulo. Ele era o guia dos guerrilheiros na mata durante a Guerrilha do Araguaia (grupo armado que lutou contra a ditadura militar no Brasil). Ele foi muito legal, nem me conhecia e mesmo assim ficou três horas me explicando como era a selva. Foi ele que me ensinou sobre o colchão de folhas que cobre o chão da floresta, os igarapés que se formam e passam por debaixo destas folhas antes de chegar aos rios, e daí veio toda a idéia da fuga do Gordo. Só exagerei nas árvores, que coloquei no livro com 60 metros de altura - elas têm em média 30 metros.

UOL Crianças - Por que você acha que "O Gênio do Crime" fez tanto sucesso?
João Carlos Marinho - No começo eu pensei que seria apenas uma mania passageira. Mas o livro está aí há 36 anos e continua sendo lido. Eu acho que simplesmente fiz um livro bom. Várias pessoas me perguntam se mudei alguma coisa na história, porque se identificam com o livro muito tempo depois dele ter sido escrito. Mas eu não alterei uma linha!

UOL Crianças - Você acha que hoje o livro perdeu espaço para os jogos e vídeos eletrônicos?
João Carlos Marinho - Com certeza. O livro não vai morrer, mas enfrenta uma concorrência muito grande. Mas isso não é uma catástrofe. Os livros continuam a existir, só que dividem seu espaço com outras atrações.

UOL Crianças - Qual é seu livro preferido da turma do Gordo?
João Carlos Marinho - Eu estou gostando muito do último que escrevi, "Assassinato na Literatura Infantil". É uma história um pouco como as outras: uma aventura engraçada, bem movimentada, há um assassinato... Mas é claro que cada livro é um livro. Este promete ser bom.

UOL Crianças - Você conhece os livros do Harry Potter?
João Carlos Marinho - Eu nunca li Harry Potter. As coisas chegam até a gente de várias maneiras. O Monteiro Lobato, por exemplo, chegou aos meus pais, que compraram os livros, que eu li. Eu sei que Harry Potter é um sucesso, mas ninguém nunca disse nada que me fizesse pensar "nossa, esse livro eu preciso ler".

UOL Crianças - Qual o último livro infantil que você leu?
João Carlos Marinho - Foi "A Ilíada" adaptada para crianças por Ruth Rocha. Eu achei muito bom. É difícil fazer um livro assim.

UOL Crianças - Que autores você recomenda para as crianças?
João Carlos Marinho - Para as mais crescidas, Monteiro Lobato. Para as mais novas, os contos de Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm. Tem também a Ruth Rocha, a Tatiana Belinky... E eu vejo muitas coisas legais nas livrarias.

UOL Crianças - Algum dia a turma do Gordo vai envelhecer?
João Carlos Marinho - Isso não me passa pela cabeça. Acho que o Monteiro Lobato nunca pensou no Pedrinho como advogado (risos).

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