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Personagens

Batuta
A Fábrica de Sabão era um lugar curioso. Ninguém sabia direito o que acontecia por lá, nenhum operário morava no bairro, uma kombi verde que trazia o grupo de sete funcionários chegava sempre pela madrugada e raramente era vista circulando. Às vezes aconteciam misteriosas festas sempre às sextas-feiras embaladas por uma música pulsante e repetitiva. Os convidados saíam quase de manhã, com a pele meio esverdeada e um pouco transtornados, como se tivessem saído de uma espécie de ritual. O único camarada conhecido era o motoboy Batuta. Sempre correndo em sua motoca, parecia fugir de alguém…

Neusa
A Neusa era fofa, a dona da lanchonete. Todo fim da tarde, depois da aula, a turma ia lá tomar um suco. Ela era japonesa mesmo (Neusa era apelido, né, o nome verdadeiro dela lembrava alguma marca de televisão), e só estava aqui há sete anos. Às vezes ela fingia que não entendia português quando alguém pedia fiado. De vez em quando, ela tinha terríveis dores de cabeça e nem abria a lanchonete…

Goretchi
Esotérica. Holística. Cósmica. Mística.Terceiro Milênio. Sempre saem essas palavras quando o assunto é a Madame Goretchi. Até minha mãe já foi se consultar com ela, quando voltou da Índia. Parece que ela teve uma visão num show de rock que ela foi e então começou a ler cartas. Meu pai diz que ela não passa de uma mexeriqueira que só quer saber de futricar sobre a vida das pessoas da vizinhança. Eu tinha um pouco de medo dela…

Hércules
O que eu me lembro da Imobiliária Casa Azul era que tinha uma máquina copiadora onde a gente tirava cópias de desenhos pra colorir. A professora de Artes dava pelo menos um sete modelos por mês. Seu Hércules, o dono, era uma pessoa pacata. Ele dava desconto quando copiava pra classe toda. Ele trabalha muito. Meu pai disse que ele queria juntar dinheiro pra comprar o terreno atrás da escola que foi do avó dele. Perdeu tudo no bingo, coitado. Sempre faltava o setenta e sete.

Provolona
Na Escola Municipal trabalhava a servente Próvola. O pessoal a chamava de "Provolona". Maldade? Não, Provolona era muito, mas muito chata. Ninguém gostava dela. Só a Lilian Chata que aprendeu a bajular o trubufu pra ganhar mais merenda. O que era uma ajuda pra ela na verdade, porque todo mundo sabia pra qual barrigona ia todo o resto da sopa da merenda… E outra: Dizem que com mulher de bigode nem o diabo pode…

República dos
Palhacos
Os caras mais engraçados do bairro eram os malucos da República dos Palhaços! Eles dividiam uma casa colorida pois vieram de outras cidades para estudar na FFFFFFFP (Faculdade Formadora e Festeira de Falastrões Felizes Fanfarrões Forasteiros Palhaços), a única faculdade da região. Eles eram: Calaboca, Mais-ou-menos, Ridículo, Idéia-fraca, Besta, Tonto e Chato. Este útimo eu encontrei na pós-graduação com a tese "Como Tirar a Concentração do Cara do Lado em uma Reunião Chata". Coisa fina. Os outros sumiram quando aconteceu a invasão dos caras-pintadas na cidade, mas isso é assunto pra outra história.

Emílio
Ir ao Açougue não era meu passeio preferido não. Ainda mais que a molecada sempre contava histórias de terror envolvendo o açougueiro. Seu Emílio nesse caso, era homem de poucas palavras: Quanto vai? Corta em bife? Sete mil (cruzeiros, a moeda da época). Parecia ser um pouco bravo… Emilinha, a filha dele, era do time de vôlei da escola. O pessoal conta que uma vez ele correu atrás de um menino que gostava dela com um machado na mão. Será?




  • Como tudo começou...

  • Tarde Sangrenta
    História vencedora

  • Tarde Sangrenta
    Animação

  • Invasão Alien
    Menção honrosa

  • Teatro ou mágica
    3º lugar

  • Lá vem o Oito...
    4º lugar

  • Espelho mágico
    5º lugar

  • Sete em Crise
    6º lugar

  • Sete Vezes Sete
    7º lugar



  • O que aconteceu com o Sete?

  • Personagens

  • O bairro do Sete



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