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Como tudo comecou...

Você já conheceu alguém que tem o nome de um número? Eu já. O Sete. Isso mesmo. Esse meu amigo de infância que eu nunca mais encontrei deve ter muito o que contar por aí. Se é que ele ainda está por aí… Poucos se lembram, mas a história dele saiu em todos os jornais da década de 70. Tudo começou numa tarde em que Sete, gazeteando a escola como sempre, chegou esbaforido em minha casa dizendo que tinha visto algo muito terrível…
Ninguém dava muita bola para as conversas bizarras do Sete, porque ele sempre estava metido com algo muito esquisito. Contam que uma vez ele foi visto tentando hipnotizar um gato. Eu mesmo o vi um dia treinando como falar as palavras de trás pra frente olhando no espelho. Coisas realmente estranhas para um menino de sete anos.
As pessoas achavam que ele queria apenas chamar a atenção, porque era o caçula de uma família de sete irmãos bem mais velhos e não tinha com quem brincar. Eu gostava dele mesmo assim, afinal ele sempre me dava o recheio dos sanduíches maravilhosos que sua mãe preparava, porque ele gostava mesmo era de pão seco.
Ah, a história. Onde eu parei, mesmo? Lembrei. Mas o que teria acontecido de tão horrível que fizesse os cabelos do Sete, que nunca foram muito bem penteados, ficassem realmente em pé? Ele arfava enquanto contava meio engasgando:
-Eu … eu tava pulando o muro da escola, né, do lado do terreno baldio, e daí… e daí….
Eu que não tinha tanta paciência assim dei-lhe logo um chacoalhão: -Fala logo, moleque!!!!!
Ele continuou: Eu vi um troço horrível!!!! Acho que estavam matando alguém...
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